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22/04/2009

O surdo o pastor e a identidade

Viver como um pastor sem identidade é mais ou menos assim, ser estigmatizado por ser pastor ouvinte que trabalha com surdos, pelos outros ouvintes sou vítima de preconceito, pois não posso pensar se quer em criar qualquer tipo de sinal porque este tipo de neologismo não cabe a ouvintes, entendo como se fosse um brasileiro tentando criar palavras novas para norte americanos. Isso não significa que devo me desvaler de todo conhecimento sobre a língua gesto-visual, pois se não tenho fluência na mesma, sou mal visto, serei um mal interprete. Porém conheço muitos usuários primários que nem se quer sabem o que tais gestos significam e ainda vivem nos prolegómenos da língua. É pouco comum você conhecer um norte-americano que não saiba falar sua língua materna, mas no universo surdo isso é muito comum. Ensinei a vários.

Conheço muitas pessoas que se decepcionam com este tipo de estigma, um pastor sem identidade com toda certeza é um pastor de surdos, mas precisamos entender que nosso ministério é algo que nos aproxima da visão de João Batista nos escritos Joaninos. É necessário que Ele cresça e que eu diminua. Vivermos de acordo com a vontade de Deus e vencer seu próprio ego e se abster de suas vontades para viver a vontade de Deus.

Viver como um pastor sem identidade é você trabalhar em função de um povo que também te vê como um intruso em seu mundo gesto-visual, quantas vezes, ser ouvinte para muitos significou, ele é só mais um opressor tentando nos manipular com sua cosmo visão discriminatória e autoritária. É viver o resquício da historia como se fossem resquícios de granada vindo em sua direção, você tenta até se livrar, porém mais cedo ou mais tarde um destes estilhaços, irão te alcançar.

Pouquíssimos surdos me agradeceram pelas coisas que sonhei e os ajudei a conquistar, entendo isso como um tipo de analogia sobre a manifestação de Deus em nosso meio, Ele veio até nós para nos mostrar o que devemos fazer, mas o que fazemos? Não agradecemos por se despojar de sua eterna glória, se fazer homem e habitar entre nós. É uma maneira antropomórfica de interpretar nossos dilemas, peço perdão por isso, mas é minha melhor maneira de entender nossa relação com o pai de maneira fenomenológica.

04/01/2007

Deveres dos obreiros (intérpretes)




O obreiro deve ter a consciência de que não é apenas a ponte entre o Pastor e o surdo, mas também é um canal para transmissão da palavra de Deus. Não podemos esquecer da interdependência que há entre obreiros e surdos, no sentido de receber a mensagem de Deus e também cultua-lo, além de inúmeras situações onde os dois andam juntos.
Por isso, assim como a água não pode passar pelo cano se estiver entupido, da mesma forma o intérprete não pode transmitir a mensagem de Deus se não estiver com a sua vida santificada.
Momentos antes de sua atuação, é imprescindível que o intérprete ore buscando em Deus, criatividade, destreza, desenvoltura, memória, etc, para que tenha um bom desempenho é conseqüência de sua santificação e busca pelo preparo e capacitação.
O intérprete deve buscar condições espirituais para ser usado na interpretação e sabedoria para tomar as decisões certas na hora certa. Para isso deve possuir uma vida Devocional diária, obter conhecimento diário da palavra de Deus, bem como participar dos estudos bíblicos ministrados na igreja.

Ministério com surdos definições básicas


O QUE É O MINISTÉRIO COM SURDOS?
É um ministério como qualquer outro da igreja, que se destina ao trabalho com indivíduos portadores de necessidades especiais, neste caso deficiência auditiva - de qualquer grau.
claro com suas especialidades.

COMO ESTÁ DIVIDIDO O MINISTÉRIO?
O ministério trabalha na ação social, interpretação, música, visitação, acompanhamento familiar, expressões artisticas, valorizaçao da cultura surda produçao de materiais que é comparada a área de educação religiosa do surdo (E.B.S) – sendo que esse trabalho é desenvolvido simultâneo ao trabalho de educação secular em muitos casos, como acompanhamento em escolas e faculdades.
O obreiro com surdos deve conhecer a cultura do surdo, sua realidade e seus conflitos para que possa atingir êxito no trabalho, um líder dos jovens , por exemplo, pode ser o presidente do grupo e participar da e.b.d. como aluno, o líder do ministério com surdos na maioria das vezes é o professor da e.b.d. (pois geralmente é o obreiro que conhece mais a língua de sinais e com quem mais os surdos possuem contato) e está a frente de todas as atividades direcionadas aos surdos, já que simplesmente colocar alguém e um intérprete do lado não obterá o mesmo resultado do que colocar alguém que conheça os surdos e sua linguagem desenvolvendo um trabalho específico , sendo também menos demorado, mas que isto seja regra para todas as igrejas locais. Em função a escassez de profissionais seculares nessa área, são os obreiros que são chamados para interpretar na maioria das vezes em delegacias, seminários, médicos, escolas etc...
Os surdos (em sua maioria) possuem déficit cognitivo, devido a um histórico problemático na educação secular, o que leva o obreiro a ter que não somente ensinar a bíblia, mas ensinar o significado das palavras, ensinar os sinais bíblicos, ensiná-lo a ler e interpretar, enfim desenvolver um trabalho minucioso e demorado muitas vezes, mais esta historia vem mudando graças ao esforço de muitos professores que tem abraçado a causa da educação de surdos no Brasil.