30/08/2010

O apóstolo do amor e dos mandamentos por John Piper

O apóstolo João talvez seja mais conhecido por apóstolo do amor. Ele era o "discípulo amado" (João 13.23; 20.2), e escreveu extensamente sobre o amor. Contudo, mais de um terço de todas as ocorrências da palavra "mandamento" no Novo Testamento estão nos escritos dele. Essas ocorrências não estão somente no evangelho, como já vimos, mas também em Apocalipse e nas cartas. "Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos. Aquele que diz: 'Eu o conheço', mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele" (ljoão 2.3,4). "E recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada. [...] Os que obedecem aos seus mandamentos nele permanecem, e ele neles" (ljoão 3.22,24).

É importante enxergar isso porque João também deixa claro que a.fé é o poder triunfante pelo qual obedecemos aos mandamentos de Deus. Veremos que a mesma dinâmica espiritual para a obediência aos mandamentos divinos está ativa no Antigo e no Novo Testamento, a saber, obedecemos pela fé na graça futura. Aqui está a maneira em que João trata da relação entre a fé e a obediência:

Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus, e todo aquele que ama o Pai ama também o que dele foi gerado. Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus manda-. mentos. Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados. O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é que vence o mundo? Somente aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus (ljoão 5.1-5).

João diz: "O que é nascido de Deus vence o mundo" (v. 4). A maioria das versões traz "porque" no início do versículo 4. Esse "porque" significa que isto é dado como base ou fundamento do que acabou de dizer: "os seus mandamentos não são pesados". Assim, quando João fala sobre vencer o mundo, o que ele tem em mente é vencer o impulso mundano de rejeitar os mandamentos divinos e considerá-los pesados. Quando somos gerados de novo, ele diz, esse impulso é vencido e não achamos os mandamentos de Deus pesados.

De que maneira o fato de alguém ser gerado de novo torna os mandamentos divinos um prazer e não um fardo? João diz: "esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé". Em outras palavras, a geração de fé é a forma em que a regeneração provida por Deus vence a característica pesada que o mundo atribui aos mandamentos divinos. Isso é confirmado no versículo 1 que diz literalmente: "Todo o que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus". A fé evidencia que nascemos de Deus. Não nos regeneramos pela decisão de crer. Deus nos torna dispostos a crer ao nos regenerar. Como Pedro disse na Primeira carta: Deus "nos regenerou para uma esperança viva" (1 Pedro 1.3). Nossa esperança viva, ou fé na graça futura, é a obra de Deus por meio do novo nascimento.

Assim quando João diz: "O que é nascido de Deus vence o mundo", e então acrescenta: "esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé", considero essa afirmação uma declaração de que Deus nos capacita, pelo novo nascimento, a vencer o mundo — isto é, a vencer nossa indisposição mundana de obedecer aos mandamentos divinos. O novo nascimento faz isso ao gerar fé, o que evidentemente inclui a disposição para o prazer, e não aversão, nos mandamentos de Deus. Portanto, a fé vence nossa hostilidade inata a Deus e sua vontade, e nos liberta para a obediência aos mandamentos, e a dizer com o salmista: "Tenho grande alegria em fazer a tua vontade, ó meu Deus" (Salmos 40.8).

Mas alguém poderia dizer: "Como você atribui à fé o que o versículo 3 atribui ao amor a Deus?". "Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos". Nego que amar a Deus seja o poder para obedecer aos seus mandamentos. Mas também afirmo, em virtude da linha de pensamento que se segue, que a fé também é a ferramenta do poder divino que nos capacita a obedecer aos seus mandamentos. A pergunta é, então: Como combinamos os dois pontos?

Fonte: O Cristão Hedonista

28/08/2010

Comentando Romanos

A luz da vida de um cristão genuíno.


Romanos 12: 9-21

9O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom.

10 Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios.

11Nunca lhes falte o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor.

12Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração.

13Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade.


14Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem.


15Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que chorem.

16Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos.

17Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos.

18Façam todo o possível para viver em paz com todos.

19Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei , diz o Senhor.

20Ao contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”.

21Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.



1 Não sejam egoístas, mas busquem a comunhão com todos os santos. V13

É muito interessante como a idéia de compartilhar neste texto esta absolutamente ligada a comunhão, devido a esta verdade devemos nos questionar até que ponto temos vivido uma vida despojada dos próprios interesses e visado a comunhão com o próximo no nosso compartilhar.

• Compartilhando as bênçãos.

• Compartilhando as vitórias.

• Compartilhando nosso lar.

• Compartilhar as dores e desprazeres.

• Estando presente na vida e história daqueles que chamamos irmãos em Cristo.

2 Devemos aprender que brilhar como Jesus na face desta terra é se dispor no momento mais difícil que vivemos com alguém no âmbito relacional a orar por aquela pessoa. V.14

Este conselho de Paulo é o mais difícil se comparado a todos os outros. Aqui Paulo pede que invoquemos a benção do Senhor sobre aqueles que nos perseguem, ou seja, aqueles que falam mal de você, que não perdem a oportunidade de te humilhar, que vivem em função da tua tristeza e angustia, que fazem tudo pra te prejudicar. O termo bíblico poderia muito bem ser traduzido por “bendizer” aqueles que te perseguem. Como seria possível nós falarmos bem daqueles que só falam mal de nós? Aprendamos com Jesus aqui no momento de sua crucificação ele estava cercado por dois ladrões um a sua direita e outro a sua esquerda, um deles maldizia Jesus. Colocava em cheque sua divindade. O outro falava a verdade acerca de Jesus a ação que segue este fato é interessante. Jesus não fala nada definitivamente nada para aquele que está falando mal dele.

Nossa postura precisa ser assim também em nossos dias, pois é muito fácil você revidar o mal com o mal, mas em romanos 12:21 aprendemos que não podemos pagar o mal com o mal, mas o mal com o bem e por vezes o melhor que podemos fazer é ficar calados e esperar que a verdade venha a tona.

3 Viver os momentos difíceis ou alegres ao lado de alguém que chamamos de irmãos é muito importante. V.15

O versículo fala imperativamente que devemos chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram dois momentos paradoxais na vida de alguém, mas percebemos que o fato de chorar com alguém reflete o nível de intimidade que você tem com essa pessoa. Chorar é envolver-se na dor do outro ou em sua própria dor.

Não podemos ver o sofrimento alheio e ficar omissos a este fato, mas quando percebemos a dor alheia nossa participação precisa ser ativa no consolo desta dor.

Assim como as lagrimas correm em nosso rosto no momento da dor do outro ou da nossa dor, o sorriso se manifesta no momento de alegria compartilhada e experimentada. É muito importante declararmos nossos sentimentos pelo próximo.

23/08/2010

Jonathan Edwards - Um homem de família.

Elisabeth Dodds: "O retrato mítico de Edwards o apresenta como um teólogo austero. Na verdade, era um marido carinhoso e um pai verdadeiramente amado por seus filhos". Não é fácil imaginar como era a sua vida em família com base no programa rigoroso de estudos que elaborou. Sabemos que ele acreditava em preencher cada momento da existência até o máximo de sua capacidade, sem desperdiçar tempo algum. Sua sexta resolução era simples e poderosa: "Resolvido: Viver com todas as minhas forças enquanto estiver vivo". E a quinta era semelhante: "Resolvido: Não perder um momento sequer, mas aprimorá-lo da maneira mais proveitosa que me for possível".



Temos motivos para crer que Edwards considerava sua família igualmente digna desse tempo aproveitado com tamanha intensidade. De acordo com Sereno Dwight: "À noite, ele costumava se permitir um período de descontração em meio à família". Porém, em outro texto, o próprio Edwards disse (em 1734, quando estava com 31anos de idade): "Creio que é melhor, quando me encontro com boa disposição para a contemplação divina, ou envolvido com a leitura das Escrituras ou com o estudo de algum assunto teológico, não interromper o que estou fazendo para jantar, preferindo em geral abrir mão dessa refeição a parar". Pode-se pensar que Sarah Edwards tenha se ressentido disso e se desiludido com a teologia do seu marido. Mas não foi o caso.



A hospitalidade e a piedade dela são lendárias. Creio que seria justo dizer que a chave indispensável para criar onze filhos cristãos no lar da família Edwards era a "união excepcional" que Jonathan desfrutava com a sua esposa, uma ligação arraigada numa teologia magnífica da alegria. Nas palavras do seu bisneto: "A religião de Sarah não era, de maneira alguma, melancólica ou proibitiva em seu caráter. Por mais incomum que fosse em sua intensidade, era, acima de tudo, uma religião de alegria". A história de Sarah é muito bem contada na obra de Elisabeth Dodd, Marriage to a Difficult Man [O casamento com um homem difícil] e recebe uma interpretação histórica-fictícia em Jonathan and Sarah Edwards: An Uncommon Union, de Edna Gerstner.



John Piper


Fonte: Jonathan Edwards